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Projetos Apoiados investimento social

Uma rede para mobilizar investimentos de impacto

Não foram meses fáceis, mas entre as dificuldades se esconde uma oportunidade. Exatamente assim entendeu a equipe da Latimpacto, uma rede multissetorial sem fins lucrativos que reúne filantropos e investidores sociais (fundações, empresas, investidores, family-offices, consultorias, academia e poder público), com o objetivo de mobilizar capital (humano, intelectual e financeiro) para apoiar de maneira mais eficiente organizações sociais, aplicando os princípios de investimento para impacto. O Instituto Phi é o gestor financeiro na iniciativa no Brasil.

Durante estes dias, a equipe da Latimpacto colocou toda a sua energia para fazer acontecer esta rede, visando estimular oportunidades a partir da geração de conhecimento de alto nível, compartilhamento entre pares e estabelecimento de conexões que nos permitam promover projetos de maior impacto.

Assim, hoje há avanços concretos para compartilhar, começando pelo site da Latimpacto, que já está disponível, em português, espanhol e inglês. A página, além de conter informações relevantes da Rede, também possui um repositório importante de documentos de interesse, como a tradução de relatórios, webinars realizados durante o ano e convites para eventos futuros.

A Latimpacto está vinculada a um movimento global de redes de venture philanthropy que estão demonstrando sua capacidade de gerar impacto real e sustentável. São elas: a EVPA – European Venture Philanthropy Association e a AVPN – Asian Venture Philanthropy Network, que atualmente somam cerca de 1.000 membros em mais de 50 países, além dos esforços que estão sendo feitos na África com a criação da AVPA – African Venture Philanthropy Association. Estas redes se conectam através do International Venture Philanthropy Centre (IVPC).

Visite o site para saber mais!

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O crescimento do investidor social corporativo

European Venture Philanthropy Association (EVPA) e Stanford Social Innovation Review (SSIR) lançaram, em sua última edição de verão, o artigo “The Rise of the Corporate Social Investor”, que explora como os investidores sociais corporativos, como fundações empresariais ou fundos de impacto, podem se alinhar com a empresa mantenedora para maximizar seu impacto. Com base numa pesquisa recente da EVPA sobre alinhamento estratégico, este artigo apresenta pela primeira vez a tipologia completa do alinhamento, apresentando os quatro tipos identificados: alinhamento com os negócios, alinhamento com o setor, alinhamento temático e alinhamento não material.

O artigo foi traduzido para o português pela Latimpacto e pode ser lido aqui.

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A consciência do propósito social nos negócios

O colunista Renato Bernhoeft analisa que empresas familiares milionárias estão buscando alternativas de investimento

*Texto publicado originalmente no jornal Valor Econômico

As últimas informações e análises do mercado financeiro no mundo todo – Brasil incluído – mostram uma forte concentração da riqueza em detrimento de uma distribuição de renda mais justa. Entretanto, o crescimento dessas fortunas vem ocorrendo no universo de novos empreendedores, figuras que tem tido relativo e rápido sucesso em novos negócios, especialmente nas áreas de tecnologia e serviços. Paralelamente, muitas famílias tradicionais foram destruindo patrimônio e laços familiares pelo despreparo dos herdeiros.

Uma pesquisa anterior já constatou que 70% das empresas familiares que desapareceram,  foram compradas por outros grupos, por conta de conflitos familiares ou societários entre seus descendentes. Causados também por empresários e patriarcas centralizadores ou pais ausentes na formação dos filhos.

Este panorama já está exigindo que as instituições financeiras, gestoras de fortunas, tenham que ampliar sua visão e as formas de agregar valor social ao patrimônio dos seus clientes. Em declarações recentes, a gestora de planejamento patrimonial, Mariana Oititica – sobrinha- neta do artista plástico Hélio Oititica (1937/1980) – afirmou que “as famílias estão cada vez mais imbuídas de criar um legado, especialmente as segundas e terceiras gerações. Há uma vontade crescente de fazer coisas que gerem valor”.

Essa visão de propósito social está focada nas formas, e busca de alternativas, que não apenas visem ampliar os rendimentos financeiros, mas também encontrar maior sentido para o capital. Além de uma afetiva contribuição da família para construir um mundo mais justo.

Vale registrar que uma boa parte desta nova consciência social que vem surgindo em algumas famílias empresárias tem sido provocada pela presença e atuação das figuras femininas no universo decisório. Demonstrando uma visão mais “holística” e abrangente do universo corporativo, as mulheres vêm conquistando influência e poder.

As novas iniciativas podem envolver filantropia, fundações, institutos ou apoio a entidades já existentes, com ações nas áreas de educação, meio ambiente, saúde, envelhecimento, habitação, assistência infantil, entre outras. Uma instituição já bastante reconhecida no Brasil é o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social – que atua no engajamento e preparo de famílias, empresas e comunidades nos processos de contribuição social. Sua atuação tem se ampliado ao longo dos últimos anos.

* Renato Bernhoeft é fundador e presidente do conselho da höft consultoria. Autor de livros sobre empresas familiares, sociedades empresariais e qualidade de vida.

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Nova rodada de aprendizado e investimentos de impacto

Com a proposta de aprender, acompanhar e conhecer os resultados de investimentos em negócios de impacto socioambiental, em 2016, 22 fundações e institutos familiares, empresariais e independentes se uniram para criar o FIIMP – Fundações e Institutos de Impacto. O grupo compôs um fundo de R$ 737 mil, que foi usado para apoiar seis negócios de impacto. A experiência foi tão positiva que diversos membros, além de outras organizações, manifestaram interesse em realizar uma segunda rodada de investimentos e aprendizagem. Assim, no início de 2019, foi lançado o FIIMP 2.

Nessa edição, são 19 participantes, que já compuseram um fundo de aproximadamente R$ 1,1 milhão. São eles: Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), BMW Foundation, British Council, Fundação Banco do Brasil, Fundação Grupo Boticário, Fundação Tide Setúbal, Fundo Vale, Gerdau, Instituto C&A, Instituto de Cidadania Empresaria (ICE), Instituto Clima e Sociedade (ICS), Instituto Dynamo, Instituto GPA, Instituto Humanize, Instituto InterCement, Instituto Lab60+ Semente Oré, Instituto Sabin, Instituto Vedacit e Instituto Votorantim. O grupo conta com o suporte técnico da Aoka Labs e do GIFE – Grupo de Institutos Fundações e Empresas, além do apoio à gestão financeira do Instituto Phi.

Na busca por instituições que já atuam no campo de negócios de impacto e que pudessem ajudar o grupo a entender melhor cada etapa de desenvolvimento dos negócios sociais, o FIIMP 2 criou um processo de seleção com 12 intermediários e selecionou seis, que atuam no fomento de negócios de impacto, potencializando a capacidade de gerar impacto positivo. São elas: Choice, Din4mo, Fundo Éditodos, Parceiros pela Amazônia (PPA), Semente Negócios e Vale do Dendê. Assim, ao longo de dois anos (2019/2020), as iniciativas selecionadas por essas intermediárias via edital receberão apoio técnico e financeiro – um percentual do valor total será doado ao intermediário e outro será destinado ao investimento nos negócios de impacto.

Diferente de filantropia, o investimento de impacto consiste no direcionamento de capital público ou privado por instrumentos financeiros – como empréstimo, contratação ou investimento – que são alocados em negócios de impacto com o compromisso de gerar impacto social e/ou ambiental com rentabilidade financeira.

“Este potencial retorno para o investidor pode gerar mais recursos para o próprio campo de negócios de impacto social. Trata-se de mais uma estratégia, complementar às doações para organizações da sociedade civil, para que possamos solucionar os complexos problemas sociais e ambientais que desafiam nossa sociedade”, destaca Luiza Serpa, diretora-executiva do Instituto Phi.

No fim de setembro, o grupo que compõem o FIIMP 2 esteve reunido em São Paulo com os seis intermediários para acompanhar a fase em que cada um está e seguir com o planejamento do novo ciclo de trabalho. Confira a seguir uma síntese da atuação de cada uma:

Choice

O Choice UP é um programa de pré-aceleração do Movimento Choice voltado a jovens empreendedores de negócios de impacto socioambiental em estágio inicial. Nas fases de imersão, desafio e demoday (bateria de curtas apresentações ou pitchs) os participantes avaliam seu modelo de negócio e impacto social, sua proposta de valor, estratégia e equipe sob a orientação de profissionais da área e empreendedores. Tudo isso em apenas duas semanas.

Um dos principais diferenciais implementado pelo Choice foi investir em uma pesquisa de campo para conhecer ecossistemas fora do tradicional eixo Rio-São Paulo, focando o trabalho em dois polos: Brasília (DF) e Campina Grande (PB). A chamada de projetos foi realizada em setembro e selecionou 35 iniciativas.

Din4mo

A Din4mo já fez sua chamada para seleção de startups de impacto socioambiental. Dentre 129 inscrições, selecionou quatro com faturamento acima de R$ 250 mil para receber consultoria em estruturação de captação. Ao final de três meses, duas dessas iniciativas serão investidas.

Dentre os resultados esperados para as startups estão a simplificação do processo de captação, acesso a um pool mais amplo de investidores de impacto e capacidade de declarar com mais propriedade seu modelo de negócio e tese de impacto, bem como ampliação das chances de investimento futuro e escala.

Fundo Éditodos

Coalização formada por 12 entidades – entre OSCs, aceleradoras e negócios sociais – que se uniram com o objetivo inicial de captar recursos por meio de um fundo de investimento próprio. Nos últimos anos, o grupo vem se organizando e buscando oportunidades para estruturar-se como fundo propriamente dito.

Quatro organizações da coalização estão envolvidas, com empreendedores da base da pirâmide, na execução das atividades do FIIMP 2: Afrobussiness/Conta Black, Agência Popular Solano Trindade, FA.VELA e Feira Preta.

A Agência Popular Solano Trindade investirá em microcrédito para empreendedores de gastronomia na Zona Sul de São Paulo e a Afrobusiness/Conta Black utilizará a mesma estratégia para potencializar a inclusão de empreendedoras negras na cadeia de valor de empresas parceiras.

A FA.VELA, por sua vez, vai estimular o comportamento empreendedor de 65 pessoas residentes nas favelas e periferias da região metropolitana de Belo Horizonte com a oferta de mentorias mensais que vão somar cerca de 90 atendimentos até a conclusão do projeto em 2020. A Feira Preta desenvolverá estratégia de escoamento de produção e mobiliário especial para exposição de produtos em espaços de comercialização, como shoppings de São Paulo, Brasília e Belo Horizonte.

Parceiros pela Amazônia

A plataforma de ação coletiva busca a construção de soluções inovadoras para o desenvolvimento sustentável, conservação da biodiversidade, florestas e dos recursos naturais da Amazônia.

A Chamada de Negócios 2019 recebeu 201 inscrições e 38 negócios foram classificados para a próxima fase. Os selecionados vão participar de uma rodada de negócios com investidores para aporte financeiro e a vagas no Programa de Aceleração da PPA. O programa inclui capacitações temáticas presenciais, mentorias personalizadas, coworking, assessorias jurídica, contábil, em marketing e branding, além de bolsas para participação em formações e eventos.

Semente Negócios:

A organização apresentou o “Acelera – Inovação Social”, uma iniciativa 100% online, com duração de seis meses, que visa preparar negócios de impacto para captação de investimento. Atualmente, a ação está em fase de mobilização e comunicação para captar inscrições. Serão selecionados 10 negócios com modelo de negócio já validado, com faturamento acima de R$ 50 mil/ano e com potencial de escala.

Vale do Dendê

A aceleradora selecionou 30 empreendedores para a segunda rodada de aceleração de negócios de Economia Criativa. Após a primeira etapa de pré-aceleração, dez negócios vão receber consultorias, mentorias e participar de atividades de formação nos meses de outubro e novembro. No dia 29 de novembro, durante o demoday, cinco negócios serão escolhidos para receber investimento.

A novidade dessa nova rodada será a possibilidade de somar aos recursos do FIIMP 2 um aporte via plataforma de matchfunding. Cada empreendimento receberá, por meio da Vale do Dendê, R$ 10 mil como capital-semente e poderá multiplicar esse valor por meio de uma campanha de financiamento colaborativo.

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Nexus: em busca de soluções para problemas globais

Seiscentas pessoas, dentre filantropos, investidores de impacto e inovadores sociais, de quase 70 países, estiveram reunidos explorando soluções para problemas urgentes do planeta no 9º Encontro Anual da Nexus Global Summit, conferência realizada de 25 a 27 de julho em Nova York. A maior delegação? A brasileira.

Por mais que seja uma boa notícia que tantos brasileiros estejam comprometidos com uma causa e dispostos a trabalhar por uma sociedade mais justa, não podemos esquecer do motivo por que isso acontece: suprir demandas que não são atendidas de modo satisfatório pelos governos. Luiza Serpa, diretora executiva do Instituto Phi, estava lá, com uma agenda cheia de inspiração, conexões e aprendizados.

Luiza Serpa (na frente, a quarta da esq. para dir.), com delegação brasileira no Nexus Summit

Luiza conta que teve a oportunidade de ver, na sede da ONU, a força da juventude e o quanto eles transformam o mundo quando partem para ação. Confira alguns dos destaques da conferência internacional:

Cara Delevinge:  A jovem modelo e ativista inglesa Cara Delevinge criou a campanha #MyEcoRevolution, que destaca que a escalada da destruição ambiental e uma crise de saúde mental sem precedentes estão nos mostrando que nosso modo de vida não está funcionando, nem para nós nem para o planeta.

“Não são apenas os níveis de felicidade que diminuem, independentemente do crescimento econômico, desenvolvimento ou prosperidade, mas, de acordo com o relatório de 2018 do IPCC, temos apenas 12 anos para limitar as catastróficas mudanças climáticas. Embora não haja dúvida de que esta é uma verdade chocante e aterrorizante, vemos isso como um convite para a mudança e uma oportunidade para evoluir. Acreditamos que outro caminho é possível e temos fé que juntos podemos co-criar um mundo no qual tanto as pessoas quanto o planeta prosperem”, diz Cara.

→ Valarie Kaur: Quais os caminhos para desenvolvermos a empatia real que nos faz agir em favor dos outros, ao invés de ficarmos presos às nossas próprias dores e lamentações? Em palestra poética e inspiradora, a ativista americana pelos direitos civis pede que, nesses tempos de polarização e ódio crescentes, reivindiquemos o amor como um ato revolucionário.  Valarie imagina um mundo o onde o amor seja uma ética pública. Não um sentimento sobre o qual não temos controle, mas um valor e uma habilidade que pode ser ensinada e exercitada para que as sociedades humanas se construam sob um novo modelo de relação. 

→ Dear World: A organização “Querido Mundo” tem como objetivo contar histórias através da fotografia. Os fotógrafos voluntários pedem às pessoas para compartilhar algo sobre si mesmas ou para enviar uma mensagem para alguém, independentemente da religião, raça ou idioma. Desde a sua criação, o dearworld.org compartilhou histórias de amor e perda dos sobreviventes do bombardeio da Maratona de Boston, cidadãos do Sudão do Sul no quinto aniversário da fundação da nação, refugiados sírios na Jordânia e pessoas que foram escravas durante a infância em Jaipur, Índia. O Dear World já fotografou mais de 50 mil pessoas em todo o mundo.

Luiza Serpa clicada pela ONG Dear World, que conta histórias através da fotografia

Projeto Selina: A rede panamenha de hotéis Selina tem uma proposta bem diferente: oferecem precinho de Airbnb, a vibe de albergues e ‘surf camps’, o conforto e a qualidade do serviço em hotéis e espaços de coworking, meditação, ioga e muitas atividades que envolvem a comunidade local. O espaço é perfeito para quem é nômade digital, público que é o grande foco da rede. Uma das grandes aspirações deles é a de poder “dar de volta” à comunidade onde estão inseridos, por isso oferecem atividades de voluntariado como forma de pagamento e valorização da arte local.

→ The Pad Project: A organização sem fins lucrativos dos Estados Unidos foi criada pelas produtoras do documentário “Absorvendo o Tabu”, vencedor do Oscar, que apresenta um grupo de mulheres indianas que usam uma nova máquina para criar absorventes higiênicos de baixo custo para ter sua independência financeira e, ao mesmo tempo, melhorar a questão da higiene feminina em sua aldeia. Hoje, seus absorventes estão sendo usados em 40 aldeias na área rural da Índia. O documento também dá aos espectadores uma amostra de como a menstruação é um tabu nessas comunidades, onde 23% das meninas abandonam a escola quando atingem a puberdade devido a seus períodos menstruais.

→ Turma do Jiló: Tendo à frente Carolina Videira, mãe de uma criança com deficiência, a ONG brasileira Turma do Jiló foi à ONU mostrar seu trabalho pela inclusão escolar. A ONG realiza um levantamento de dados para identificar as demandas existentes em escolas, identificando barreiras e atuando de maneira consistente e transformadora. O trabalho inclui capacitação de professores e funcionários e o fortalecimento do vínculo família e escola, oferecendo um espaço de escuta e acolhimento e aproximando os pais das necessidades e potencialidades de seus filhos. O principal resultado que a Turma do Jiló pretende alcançar é a redução substancial da evasão escolar nas escolas brasileiras e diminuição efetiva de denúncias de violência escolar (tais como bullying e preconceito) ao Ministério Público.

Luiza, que pela segunda vez em 2019 participa de uma conferência internacional, diz que volta com o sentimento de que faz um trabalho muito bom, mas que ainda é pouco – pela cidade, pelo país, pelas minorias.

“Não sou ativista por uma ou outra bandeira; sou fazedora, do tipo que se depara com um problema concreto e se propõe a resolver. Acabo me realizando com as pequenas mudanças que dou conta de fazer acontecer, mas quero fazer mais! Não conheci todos os brasileiros da delegação, mas os que conheci me encheram de orgulho e inspiração. Estamos juntos e tenho certeza que faremos o nosso país melhor a cada dia”, diz a diretora do Phi.

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