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Da infância no Pavão-Pavãozinho para o doutorado nos Estados Unidos

Hoje doutorando nos EUA, Jeferson Ribeiro foi aluno do Solar por 10 anos

A boa notícia corre por todas as salas de aula do Solar Meninos de Luz: Jeferson Ribeiro, que entrou na organização filantrópica ainda menino, em 2002, e participou do programa de educação integral até se formar no Ensino Médio, em 2011, agora é doutorando de Ciências Biológicas na Washington University, em St. Louis (EUA).

A história de Jeferson começa como a de muitos brasileiros. Seus pais, cearenses de Guaraciaba do Norte, fustigados pela seca, fome e falta de emprego, deixaram o Nordeste rumo ao “eldorado” do Rio de Janeiro quando o filho nasceu. Trocaram a miséria do sertão pela da favela carioca. Jeferson cresceu no Morro do Pavão-Pavãozinho enquanto o pai trabalhava de vigia e a mãe, de empregada doméstica.

“Com 8 anos, fui para o Solar e, com meus pais trabalhando, eu passava o dia todo lá, unindo o útil ao agradável: depois das aulas, fiz oficinas de musicalização – coral, flauta e percussão – balé, dança contemporânea, teatro, xadrez. Cheguei a participar de um espetáculo teatral com o Grupo Nós do Morro e a oficina de percussão, a minha paixão e um hobby até hoje, era uma parceria com o Monobloco. Utopicamente, eu gostaria que todas as escolas fossem como o Solar”, diz Jeferson.

Jeferson, quando criança, na oficina de percussão do Solar, com músicos do Monobloco

O Solar Meninos de Luz, organização apoiada pelo Instituto Phi desde 2016, promove educação integral, cultura, esportes, apoio à profissionalização, cuidados básicos de saúde e assistência social a famílias vulneráveis das comunidades do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo.

“Quando falamos em educar para libertar, é porque desejamos que os nossos meninos de luz utilizem as oportunidades oferecidas em nossas salas para alcançarem qualquer objetivo que desejam. E não há nada melhor do que vê-los voar longe”, diz a diretora pedagógica do Solar, Isabela Maltarolli.

Ao se formar, Jeferson ingressou na graduação em Ciências Biológicas da UERJ, que emendou no mestrado em Ecologia e Evolução, finalizado ano passado. Há um mês, ele deixou o Pavão-Pavãozinho para a cidade americana de St Louis, no Missouri.  Alugou um apartamento próximo à Universidade de Washington e se sustenta com a bolsa de pesquisador. Para o doutorando de 28 anos, seus pais ainda nem absorveram a novidade:

“Acho que eles não têm nem noção das diferenças de realidades. Nem eu imaginaria, até pouco tempo atrás, fazer um doutorado nos Estados Unidos. Não que eu achasse que não tinha capacidade, eu só não vislumbrava isso porque não era essa a minha realidade”, conta Jeferson, que tem uma irmã caçula, de 21 anos, que também estudou no Solar, já fez intercâmbio para aprendizado de inglês nos Estados Unidos e atualmente cursa pedagogia na UniRio.

Sobre o futuro, Jeferson espera que o Brasil valorize mais a ciência, destinando mais investimentos para pesquisas. Em tempos de pandemia Covid-19, aliás, a importância dos profissionais da área ficou mais evidente que nunca.

“Ainda não sei se minha vida vai me levar de volta ao Brasil, não porque não pensei nisso, mas porque não sei quais as oportunidades que vão surgir na minha carreira. Eu adoraria, porque sinto muita falta da minha família e da natureza. Em termos de biodiversidade, o Brasil dá de mil a zero”, diz o jovem doutorando.

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