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Supported Projects terceiro setor

Óculos de realidade virtual para enxergar a desigualdade

*Matéria publicada originalmente no site Projeto Colabora:
https://projetocolabora.com.br/ods17/oculos-de-realidade-virtual-para-enxergar-a-desigualdade/

Na tentativa de driblar a resistência de potenciais doadores de alta renda a visitar projetos sociais, Instituto Phi lança mão de imersão em 360 graus

O One by One é um dos projetos apoiados pelo PHI e está no documentário 360º 

Há cinco anos, desde que fundou o Instituto Phi – ONG que assessora pessoas físicas e jurídicas a doar para projetos sociais – Luiza Serpa enfrenta um desafio: levar potenciais doadores de alta renda até as comunidades pobres para causar o choque de realidade às vezes necessário para despertar o desejo de fazer filantropia. Então, seguindo a máxima do ditado “Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé”, a executiva decidiu inovar na estratégia de captação de recursos para o terceiro setor: combinando storytelling e tecnologia, desde agosto, ela leva para as reuniões um óculos de realidade virtual e convida seu interlocutor a uma espécie de experiência imersiva em projetos sociais que preenchem lacunas dolorosas do poder público. 

Nos óculos, é exibido um documentário produzido em 360 graus pelo Instituto Phi em parceria com a Recode, organização social voltada ao empoderamento digital de jovens da periferia. Permeado por imagens da Rocinha, dando visibilidade a uma população que vive em condição de total vulnerabilidade social, o curta-metragem apresenta o trabalho de três das 410 instituições que já receberam apoio financeiro através do Instituto Phi até hoje – Creche Tio João, One by One e Banco da Providência –, com seus respectivos custos de manutenção.

“Precisamos derrubar muros. Muros de medo da violência que impede as pessoas de conhecerem os projetos in loco para entender as mazelas que combatem. Muros de desconfiança em relação à idoneidade das ONGs. Muros de falta de visão de que a desigualdade brutal é ruim até mesmo para a sobrevivência do atual capitalismo”, destaca Luiza.

Lilia Lima, fundadora da Creche Tio João, na Rocinha, mostra no vídeo como é o dia a dia das 90 crianças atendidas atualmente pela ONG, que surgiu para suprir a necessidade de mães trabalhadoras de crianças com idade a partir de 4 meses. Foi Lilia quem precisou negociar com o chefe do tráfico da comunidade para liberação da entrada da equipe de cinegrafistas. 

“Expliquei que seria para o benefício das crianças. Queríamos mostrar as valas que, em época de chuvas, enchem e impedem o acesso à creche. Os emaranhados de fios de ligações clandestinas que, vira e mexe, causam falta de energia”, conta Lilia que, apesar dos problemas, comemora o iminente fim das obras de ampliação da creche, graças a um investimento recebido por intermédio do Phi.  “A partir do mês que vem, vamos poder atender as 84 crianças que estão na fila de espera, oferecendo educação, higiene, alimentação e lazer, proporcionando um ambiente propício para o desenvolvimento cognitivo e emocional delas”.

O telespectador do documentário também conhece os programas do Banco da Providência, organização que trabalha para reduzir a desigualdade social por meio de projetos de capacitação profissional e geração de renda. Sua ação estratégica está concentrada em cinco bairros do Rio que abrangem 60 comunidades com os mais baixos índices de desenvolvimento humano (IDH). Anualmente, são capacitadas cerca de 500 famílias. 

O Banco da Providência combate a desigualdade com cursos de capacitação 

O curta-metragem apresenta ainda a One by One, que proporciona dignidade e inclusão social para crianças e jovens com deficiência de baixa renda, com sede na Barra da Tijuca. Como primeiro passo, a ONG oferece mobilidade doando cadeiras de rodas sob medida – mais de 900 cadeiras já foram fornecidas –, mas também oferece suprimentos, como fraldas descartáveis e leite, e promove oficinas de arte, estimulação pedagógica e qualificação para o mercado de trabalho.

Investidora social e voluntária na One by One, a executiva do setor de tecnologia Frances Tanure considera que a nova estratégia do Instituto Phi é muito inovadora e garante mais engajamento que os métodos mais tradicionais:

“É uma ferramenta complementar à eficiente estratégia de captação de recursos já implementada pelo Instituto Phi. Levar as pessoas a viver essa experiência faz com que elas se sintam mais envolvidas com aquelas situações. Muitos projetos são em lugares de difícil acesso, e Luiza encontrou uma solução para driblar esse obstáculo”, conta Frances, que participou do desenvolvimento do curso de preparação para o mercado de trabalho da One By One, trabalhando temas como tecnologia, comunicação e resolução de problemas.

Projeto calcados nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável

Fundado em 2014, o Instituto Phi combina a alma da filantropia com a racionalidade do investimento para assessorar empresas e famílias na doação a projetos sociais sérios. Na prática, Luiza e sua equipe buscam potenciais doadores, entendem qual a causa que os motiva e apresentam projetos dentro do perfil selecionado. Para fazer parte do banco de instituições que recebem apoio através do Phi, há uma avaliação baseada em quatro pilares: transparência, qualidade de gestão, potencial de impacto e solidez. Depois da aplicação dos recursos, o Phi faz monitoramento do investimento, apresentando relatórios regulares que comprovem sua eficiência.

A creche Tio João, na Rocinha, atende 90 crianças para apoiar as mães trabalhadoras 

Os projetos que são apoiados pelo Phi precisam estar de acordo com as diretrizes dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que são um conjunto de 17 metas globais estabelecidas pela Assembleia Geral das Nações Unidas para fortalecer a paz universal e transformar o mundo em um lugar melhor. Essas metas fazem parte da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e um dos valores fundamentais dessa agenda é “Não deixar ninguém para trás”.

“É fundamental garantir a inclusão daqueles que não se beneficiaram dos esforços de desenvolvimento empreendidos até aqui e evitar que mais pessoas se tornem socialmente excluídas. Todo mundo pode fazer alguma coisa, seja doando dinheiro, tempo, experiência ou materiais para projetos sociais que já estão aí transformando realidades”, conclui Luiza.

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Storytelling para projetos sociais

Quanto mais histórias de transformação social forem contadas, e quanto mais espaço nas redes e mídias elas ocuparem, mais pessoas – inclusive potenciais doadores – vão se inspirar e gerar novas histórias de transformação social. Por isso, o Instituto Phi dá algumas dicas para organizações e negócios sociais contarem suas histórias a partir dos princípios do storytelling.

Storytelling é a arte de contar histórias para criar uma conexão com sua audiência. Para isso, utiliza elementos específicos em eventos com começo, meio e fim, conectando-se com o interlocutor no nível emocional.

A sua perspectiva

A Wikipedia já fornece conteúdos objetivos, listando fatos e fornecendo dados. Então, em vez de escrever como uma enciclopédia online, leve sua audiência para uma jornada. Por mais que o seu conteúdo não seja originalmente uma narrativa, é possível fazer com que seja, abordando o tema sob uma perspectiva única: a sua.

Componentes

Não existe receita de bolo para se contar boas histórias, mas há quatro componentes fundamentais para o storytelling: protagonista, objetivo, conflito e transformação. Um personagem lutando contra forças antagônicas para alcançar um objetivo. Mostrar como os desafios transformaram o protagonista é uma forma de mudar a perspectiva da audiência.

Para fazer um bom storytelling, é importante aprender algumas técnicas essenciais:

1. De A a B

Leve o leitor de um ponto A até um ponto B: histórias sem final ou sem ordem cronológica podem funcionar bem em filmes artísticos e na literatura, mas não são indicadas quando uma mensagem deve ser facilmente transmitida e reproduzida.

2. Viradas na trama

Todo leitor gosta de ser surpreendido, por isso obras que usam viradas na trama e quebras de expectativas são tão populares. Use a criatividade para atrair e envolver o seu leitor, mas tome cuidado para não fugir do objetivo principal.

3. Emocione

Histórias que estimulam emoções positivas são mais amplamente compartilhadas do que aquelas que provocam sentimentos negativos. Estimule o público a terminar de ler com um sentimento positivo no peito. Isso não significa que se deva apenas falar de coisas boas e não exibir problemas.

Narrativas

Essa história pode ser contada por diferentes meios: escrita, em áudio, em vídeo. Pode ir para o seu site, suas redes sociais, ser apresentada numa palestra. O importante é que histórias mudam pessoas e pessoas mudam o mundo!

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Editais selecionam organizações sociais para apoio financeiro e capacitação

Os editais são uma ótima oportunidade para apoio financeiro e capacitação de projetos e organizações sociais. No momento, estão abertas as inscrições para vários editais: Eletrobras (educação), Itaú Unibanco Idoso, Itaú Unibanco Esporte, Criança Esperança (infância e adolescência) e Instituto Lojas Renner (infância e adolescência), Instituto MRV (educação), Prudential do Brasil e Uber – Mover para Transformar. Em alguns casos, as organizações precisam estar registradas em determinadas leis de incentivo fiscal. Confira as condições e não deixe de participar!

– Edital Social Eletrobras 2019: será destinado R$ 1,520 milhão para projetos que visam a reduzir as desigualdades sociais a partir da educação. Informe-se no site https://eletrobras.com e inscreva-se até 11 de outubro.

– Edital 2019 Itaú Unibanco Idoso: Se você tem projeto para contribuir para o envelhecimento ativo e o protagonismo da pessoa idosa, pode se inscrever até 10 de outubro. Informações no http://editaisitauunibanco2019.prosas.com.br/idosos.html.

– Edital 2019 Itaú Unibanco Esporte: Busca projetos esportivos que promovam o desenvolvimento integral da população e o enfrentamento das desigualdades sociais por meio do esporte. Inscrições até 28 de outubro. Informações no http://editaisitauunibanco2019.prosas.com.br/esportes.html.

– Edital Criança Esperança: Para organizações que promovem educação, desenvolvimento humano, inclusão social e empoderamento de crianças, adolescentes e jovens de grupos vulneráveis. As iniciativas selecionadas poderão receber de R$ 60 mil a R$ 300 mil. Inscrições até 15 de outubro. Informações: http://projetos.criancaesperanca.unesco.org/

Edital Instituto Lojas Renner: Financiamento a projetos aprovados em fundos da infância e da adolescência. O apoio será de até R$ 150 mil. O envio de projetos pode ser feito até as 18 horas do dia 16 de outubro. https://prosas.com.br/editais/5967-edital-instituto-lojas-renner-de-projetos-para-o-empoderamento-feminino-fundos-da-infancia-e-recursos-proprios

– Instituto MRV: O programa Educar para Transformar seleciona dez organizações para conceder apoio de até R$ 160 mil para o desenvolvimento de um projeto em parceria com uma ou mais escolas ou para a criação de um produto ou serviço de educação a ser desenvolvido para a própria organização. Propostas podem ser enviadas até as 17h do dia 18 de outubro. Informações: http://educarparatransformar.institutomrv.com.br/edital

– Prudential do Brasil: Busca projetos que contribuam para a proteção e o desenvolvimento de pessoas em situação de vulnerabilidade e risco econômico. Os projetos deverão fazer parte de algumas dessas áreas de atuação: qualidade de vida, saúde, longevidade, acessibilidade, cultura, esporte, educação, segurança e bem-estar. As inscrições podem ser realizadas até o dia 26 de outubro pelo e-mail: sustentabilidade@prudential.com. Confira o edital: https://prosas.com.br/editais/4359-edital-de-patrocinio-de-projetos-sociais

– Uber – Mover para Transformar. Busca projetos alinhados às seguintes causas: Mobilidade Inclusiva  (ampliação do acesso para grupos que possuem alguma barreira ou limitação para ir e vir, como comunidades de baixa renda e pessoas com deficiência); Empoderamento Econômico (apoio para que mulheres e pessoas LGBTQIA+ possam conquistar sua independência pessoal e financeira) e Segurança. As inscrições são contínuas. Informações no https://prosas.com.br/editais/5119-uber-mover-para-transformar#!#tab_vermais_descricao.

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“A fome era maior que a curiosidade”

Rio de Janeiro

Depois da escola, as gêmeas Maria Luiza e Maria Clara, de 9 anos, têm a agenda cheia: oficinas de inglês e de informática, balé, esportes e reforço pedagógico se alternam às tardes. Elas também brincam, claro, e se desenvolvem cada vez mais em aspectos como criatividade, imaginação, cooperação e comunicação. São miúdas para a idade, mas nem de longe se parecem com quem eram quando chegaram ao NEAC – Núcleo Especial de Atenção à Criança, em Campo Grande, cinco anos atrás.

“A fome era maior que a curiosidade e as irmãs tinham dificuldades de aprendizagem. Eram arredias e desconfiadas”, conta Selma Pacheco, diretora de projetos do NEAC, que faz atendimento a 200 crianças e adolescentes.

A equipe de serviço social realizou uma visita domiciliar e observou que a casa onde as Marias moravam com a mãe, desempregada, e com três irmãos adolescentes, não possuía banheiro.

Uma campanha batizada de “João de Barro” foi iniciada para a construção do banheiro da casa e algumas outras melhorias urgentes, como instalação de piso no quarto e aquisição de camas. Tudo comprado com doações e executado com mão-de-obra voluntária.

A mãe foi encaminhada para uma vaga de trabalho e em pouco tempo a vida desta família se transformou, com impacto direto no rendimento escolar de Maria Luiza e Maria Clara.

No NEAC, as gêmeas são participantes muito ativas do Mercadinho Ecológico do Projeto TransformAção – Transformando Lixo em Educação. Elas levam garrafas PET, latinhas de alumínio e outros materiais recicláveis para trocar por eco-reais, que são usados para adquirir brinquedos e materiais escolares.

“Hoje, as Marias estão mais motivadas, com mais autoestima e, principalmente, felizes. Elas colaboram, respeitam os amigos e se concentram nas oficinas. Isso nos leva a refletir sobre como pequenas, mas importantes intervenções na vida de uma família podem afetar todo o seu contexto”, conclui Selma.

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Controle sobre ONGs: MP será votada esta quarta

Rio de JaneiroSão Paulo

Será nesta quarta-feira, 8 de maio, a votação da Medida Provisória (MP) nº 870/2019, que, em seu artigo 5º, prevê uma nova competência para a Secretaria de Governo:  “supervisionar, coordenar, monitorar e acompanhar as atividades e ações dos organismos internacionais e das organizações não governamentais no território nacional”. Para entidades do Terceiro Setor e movimentos civis, a medida abre espaço para interferências do governo sobre as 820 mil ONGs brasileiras.

Desde janeiro, organizações sociais de todo o Brasil estão se mobilizando contra essa Medida Provisória. Uma carta aberta, endereçada ao General Santos Cruz, Ministro-Chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República, chegou a ser assinada por mais de 60 entidades.

No texto, as organizações defendem que “Além da MP 870 ser inviável – teriam de coordenar o trabalho de mais de 800 mil ONGs –, atribuir esse tipo de responsabilidade ao governo fere diretamente a Constituição Federal, que assegura a todo e qualquer cidadão os direitos à livre associação, expressão e manifestação. O Executivo Federal deve ter o papel de construir diálogo com as organizações, e não controlá-las”.

Um dos diretores-executivos da Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais (Abong), Mauri Cruz, alerta que o grande risco representado pela MP é o impacto sobre a própria democracia brasileira.

“Nossa principal preocupação não é só com a MP, mas com a democracia. Para termos uma democracia plena, precisamos de liberdade, autonomia da iniciativa privada, da sociedade civil e da imprensa. A democracia tem várias bases, como a autonomia dos poderes junto da sociedade civil autônoma para se organizar de forma não tutelada”, disse.

Cerca de 30 organizações criaram a campanha Sociedade Livre, que convoca os cidadãos a pressionarem a comissão parlamentar que irá avaliar o texto, garantindo que seja rediscutido o inciso que trata desta questão. Para pressioná-los, a campanha pede que se preencha um formulário na página da Sociedade Livre, que será enviado por e-mail.

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