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Pontes sobre o abismo de desigualdades

E se 12 milhões de ricos doassem R$ 100 por mês para filantropia?

Luiza Serpa*

(Artigo publicado originalmente no jornal O Globo: https://oglobo.globo.com/opiniao/artigo-pontes-sobre-abismo-de-desigualdades-23930377)

A despeito da crise econômica, os 10% mais ricos do país – um universo de 12 milhões de brasileiros – têm renda mensal média de R$ 9.519,10 ao mês, de acordo com dados do IBGE de 2017.

Por outro lado, 54,8 milhões de brasileiros – 26,5% da população – vivem na linha de pobreza e têm renda familiar mensal equivalente a R$ 406 (IBGE). Já a população na condição de pobreza extrema representa 7,4% do total de brasileiros: são 15,3 milhões de pessoas, em famílias que dispõem de R$ 140 por mês para viver.

O percentual de pobreza por grupo etário de maior concentração é o de crianças e jovens. São 5,2 milhões de brasileiros de 0 a 14 anos na extrema pobreza e 18,2 milhões na pobreza.

Para o país eliminar a pobreza extrema, segundo o IBGE, seria preciso investir, por mês, cerca de R$ 1,2 bilhão, num total de R$ 14,4 bilhões/ano. Já com R$ 10,2 bilhões mensais seria possível erradicar toda a pobreza do país.

E se todos aqueles 12 milhões de ricos doassem R$ 100 por mês – R$ 1,2 mil ao ano – para filantropia?

O investimento social privado chegaria justamente a, vejam só, R$ 14,4 bilhões/ano. Bem acima dos valores de R$ 2,9 bilhões movimentados em 2016, segundo o relatório mais recente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Ou seja: o fim da pobreza extrema no país é viável, e em apenas um ano.

Precisamos derrubar muros. Muros de desconfiança, de distanciamento, de falta de visão de que a desigualdade brutal é ruim até mesmo para a sobrevivência do atual capitalismo.

Precisamos construir pontes sobre o abismo de desigualdades do país. As organizações não-governamentais ocupam lacunas dolorosas para a sociedade brasileira nas áreas de saúde, educação, cultura e arte, esporte, acessibilidade, direitos humanos, geração de renda, habitação, assistência social, segurança pública e meio ambiente.

Mais que nunca, é chegada a hora de cruzar essas pontes.

*Luiza Serpa é co-fundadora e diretora-executiva do Instituto Phi, que faz planejamento estratégico e assessoria de filantropia pessoal, familiar e corporativa

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