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Abelhas transformam a vida de Dona Maria, de 64 anos

Alunas da Escola Feminina de Apicultura, projeto social em Ouricuri (PE)

Uma vez por semana, Dona Maria Rodrigues, de 64 anos, coloca sua vestimenta de apicultora – um macacão 100% antiferroadas que cobre todo o corpo – e parte para a verificação do desenvolvimento de suas colmeias de abelhas, em seu sítio, em Ouricuri (PE), coração do sertão nordestino. Dona Maria começou a criação este ano, depois de se formar na primeira turma da Escola Feminina de Apicultura, um projeto social do Instituto Madeira da Terra apoiado pelo 3º Edital do Movimento Bem Maior, com gestão do Instituto Phi. Ao se formar, ela, assim como as outras sete alunas da turma, ganhou do projeto as cinco primeiras colmeias. Agora, já tem 21, de onde poderá extrair aproximadamente 2 toneladas de mel/ano.

Com a Escola Feminina de Apicultura, o Instituto Madeira da Terra promove inclusão produtiva de mulheres da zona rural da região, já que a atividade gera produtos como o mel, o própolis e vários outros demandados no mercado interno brasileiro e mundial. Ao mesmo tempo, ajuda a preservar a diversidade da fauna e flora da caatinga, considerada a floresta do sertão. A redução da população de abelhas piora o processo de desertificação, já que as abelhas são responsáveis pela polinização de 75% de todas as plantas com flores que temos disponíveis no planeta.

Dona Maria é aposentada e vive no sítio com o marido, dois filhos, uma nora e dois netos. Mas, numa região de seca, de Índice de Desenvolvimento Humano baixo (0,572)  e distante das capitais – a mais próxima, Teresina, está a 500 Km de distância – Dona Maria se preocupava com o sustento das futuras gerações.

Muito engajada com as ações do Instituto, que já atuou com artesanato e produção de alimentos orgânicos, quando soube do projeto da Escola Feminina de Apicultura, Dona Maria cedeu sua propriedade para que as aulas fossem realizadas. Depois de um ano, debaixo de sua árvore, ela recebeu o certificado de conclusão, em abril deste ano. Era a aluna mais velha, começando uma nova vida. Na próxima safra, de janeiro a abril de 2023, terá sua primeira colheita. Com os ganhos, quer continuar aumentando o apiário.

Dona Maria, de 64 anos, recebe o certificado de apicultora

“Quando olho para esses jovens da minha família, penso: o que eles vão fazer no futuro? Acho muito importante deixar algo para eles poderem progredir, se quiserem. E gosto muito de trabalhar com as abelhas, se eu pudesse, criava na minha casa, mas elas gostam de picar, né?”, brinca Dona Maria.

Coordenador geral do Instituto Madeira da Terra, Hermes Monteiro destaca que a apicultura no Brasil é praticada essencialmente por homens e este projeto subverteu essa lógica:

“Há uma cultura de que enfrentar as abelhas é coisa de homem, mas com tecnologia, não há perigo para ninguém. Utilizamos um equipamento de proteção 100% antiferroada. Nossas alunas não sabem o que é tomar uma picada de abelha”, conta Hermes.

O coordenador do projeto explica ainda que o Instituto Madeira da Terra estudou várias tecnologias aplicadas ao semiárido para escolher uma correspondente com o perfil da população:

“Chegamos à conclusão de que, além das condições ambientais favoráveis, esse é um trabalho viável para o perfil das mulheres da região, que são muito trabalhadoras, acumulam muitas funções e o manejo durante a maior parte do ano é feito somente uma vez por semana, por poucas horas”.

Atualmente, a Escola Feminina de Apicultura está em sua segunda turma, desta vez com 16 alunas – todas de baixíssima ou nenhuma renda, a maioria dependentes de maridos. Ao fim do curso, o Instituto fornece cinco colmeias para cada aluna começar sua criação. Com isso, as apicultoras têm condições de chegar a 50 colmeias em 5 anos:

“Essas mulheres passam a ter voz; passam a ser lideranças de si mesmas e, muitas vezes, são lideranças na família, na comunidade ou até além da comunidade”, ressalta Hermes.

Dona Maria com os instrutores da Escola Feminina de Apicultura

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